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“Lua bonita, se tu não fostes casada..”

14/02/2013

Querido vovô,

As vezes eu fico pensando no quão estranho é o fato das pessoas, de uma hora pra outra, desaparecerem. Venho pensando nisso a muito tempo e ultimamente isso está povoando meus pensamentos um pouco mais, em parte por causa dessas loucuras que a gente vê por aí, em parte por as vezes sentir você mais perto. Será que você também vê tudo isso aí de cima? Como é estar do outro lado?
Sabe, tem um monte de perguntas que eu gostaria de ter feito para você (será que eu te chamaria de você, ou de “senhor” agora? Pra mim você vai ser sempre vovô) ao longo desses anos em que você não está mais por aqui, acho até que elas cresceram junto comigo, guardadas no peito onde você ainda habita.
Eu era meio criança, as vezes acho que ainda sou, mas embaixo daquele um-metro-e-poucos de caixinhos dourados habitava uma infinidade de duvidas despertadas pelas suas historias de cordel.
Sabe, vovô, eu te levo comigo que nem aquela foto que você levava de mim, e as vezes aperta a saudade quando eu lembro do quão feliz você ficaria de saber que a sua primeira neta vai se tornar doutora – e das boas. Fico matutando aqui sobre o que você acharia das minhas concepções de mundo, dos meus ideais e da desconstrução do seu Deus que o tempo tratou de dar cabo. Será que você sentiria orgulho? Será que você enxergaria a minha mãe no meu batom vermelho e nas minhas astucias?
Queria poder ter aproveitado mais as suas cantigas de ninar e as historias que seu bigode carregava. Mas sabe como é, a vida prega essas peças pra gente lembrar que até o sentimento mais eterno ainda é finito. Não que isso importe muito, eu sei que caminho com você do meu lado.
É que você faz falta, sabe vovô, você e as historias do tenente Zé Garcia, e as mil historias do meu bandeirantismo urbano que eu também queria te contar.
Sinto saudade de poder pensar em ter você por perto perguntando da galega do vô. Queria você aqui.
Não faz mal. Você mesmo sendo ausência, ainda é lembrança, e eu ainda preparo uma escada pra chegar até a lua e ir te visitar.

Te amo.

Da sua neta (preferida),

Rafa.

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Muros, grades, e uma PUC que não existe mais

04/02/2013

Não há lugar para hipocrisia entre as minhas linhas. Não vou fechar os olhos e dizer que a PUC sempre foi o lugar onde eu quis estar. Confesso que fiquei perdidamente apaixonada por a cor vermelha e o campus surreal daquele lugar que ecoa Carla Bruni onde tem um tal de “college coffee”. Também não vou falar que foi na parte pixada de uma descida da monte alegre em que eu me encontrei em um dezembro nem tão próximo assim, após assinar os papeis da matricula em uma das melhores faculdades do pais. A PUC me conquistou ao longo do final do ano, e em janeiro eu ainda não estava completamente convencida de que era naquele prédio caindo aos pedaços que eu queria passar os próximos cinco anos da minha vida. Ah, mas foi só eu ouvir os primeiros batuques da bateria do 22 e aquele povo me pintando de azul, amarelo e o que mais fosse preciso que meu coração virou puquiano. Hoje, não preciso nem de aviso: meus músculos já seguem “a baronesa” num movimento tão involuntário quanto meus batimentos.

Hoje eu sei, e digo com o peito estufado e com o maior orgulho da face da terra que não há, no mundo, melhor para estar do que na minha amada pontifícia. É o tipo de coisa que você aprende além das paredes da sala. Aprende a amar não só os semi-deuses que se colocam à sua frente com o objetivo de ensinar, não só a diversidade étnica, cultural e ideológica que percorre os corredores, não só o clima, não só as cervejadas, não só o espirito, não só a labuta (que te tira a paciência por algumas horas só pra depois te livrar de todos os males do mundo). Hoje em dia eu amo a PUC desde a falta de ventilador até os seus grafittis. Desde as cores do CA até as fendas do teto. Ela me mostrou que a palavra “revolução” não está estampado na parede – e na pele – atoa.

Acho que, sabendo o que é amar assim algo ou alguém, talvez vocês possam entender o quão triste e decepcionada eu estou ao ver os rumos que essa universidade está tomando. Como eu posso passar orgulho aos meus bixos se o sentimento mais presente nos tempos atuais é a vergonha? Como pode alguém que diz amar tanto a PUC quanto eu toma decisões que a levam à beira do precipício?

É aí que o coração aperta e o sentimento de impotência toma conta de mim. É aí que justifica essa minha luta que por vezes parece cega e insensata. Tudo o que eu faço é por amor moço. E não precisa gritar comigo, não precisa me encurralar, não precisa me por entre grades, seus arames farpados não são barreiras para os meus ideais. Eu te escuto daqui, não precisa ser agressivo, mas você aceita um café enquanto me escuta? É tudo que eu peço. Meu grito não é igual ao seu. Eu não clamo por autoridade, eu clamo por voz, e só.

Afinal, foi dentro dessas paredes que me ensinaram que só com o povo um pedaço de terra vira uma nação, e que eu devo lutar pelo direito sempre, mas quando em confronto com a justiça, devo lutar pela justiça. O que transparece em palavras no papel não é justiça, seu moço, o que tem nessas letrinhas aí traz lagrimas genuínas de decepção à olhos que não estão acostumados a falar.

Nessas horas eu penso até em por meus joelhos no chão e rezar para que Deus ilumine a vossa igreja e entenda que o que deve estar acima de tudo é a religião, e não a instituição, e que agora que eu fui ensinada a pensar, não há cabresto que me pare. Minha briga não é contra a igreja, é contra gente suja e corrupta que ainda acha possível passar por cima de quem for para esse joguinho de poder que me enoja.

Por favor, minha amada pontifícia, não deixe de ser. Eu te entreguei meu coração e lutarei por seus valores até que a morte nos separe. Quero fazer valer as memórias que deixaram marcas no TUCA e as historias que me contaram com brilho nos olhos. Quero ter brilho nos olhos a contar a nossa historia de luta e vitoria também.

Por favor, não me prenda entre seus muros, grades e batinas. Por favor, não me decepcione. Por favor, não me faça sofrer de desamor. Ainda há muita coisa pra ser vivida. Não deixe que te apaguem. Enquanto for possível, eu resistirei.

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Do que ainda é fácil lembrar

16/01/2013

De sorrisos. De conversas. De clichês mal fundamentados. De perfumes que passam sem na verdade existir. De covinhas que na verdade só existem em outro alguém. De mensagens. De álcool entrando. De palavras soltar sem razão de existir. De razão demais. De luas bonitas. De desconcertos. De ligações que acompanham o nascer do sol. De pedidos de desculpa e também da falta deles. De ser mais do de sempre. De tentar sem tentar de fato. De fato, sem acontecer. De lembranças. De abraços no ar. De desejo. De desejo que aquilo não tivesse fim. De finais reticentes. De reticências que escondem suspiros. De suspiros que escondem orgulho. De orgulho, principalmente. De caos. De bocas diferentes. De imaginação que permanece igual. De tudo. De agradecer. De nada. De nós.

Querida Pandora,

17/10/2012

A sensação voltou. Às vezes eu tenho duvidas se o que eu sinto é a sensação de vazio, ou se é só o eco de algo tocando as paredes do vazio que já existe, mas de uns tempos pra cá eu vejo que as coisas em mim andam mudando, e eu tenho muito pouco do que me orgulhar. Vista de fora, acho que devem confundir a minha euforia com algo bem próximo a felicidade plena, quando é só vontade calar e não ter que resolver tantos porquês. É bem verdade que “sei lá” vem sendo minha frase preferida, muito mais por preguiça do que por não saber de fato, e isso é ridiculamente tosco vindo de mim, que adorava saber tudo sobre tudo, e agora, sei lá. Deve ter algo haver com insegurança (sic!) ou falta de saco acumulada de tantos gestos mecânicos. O fato é: eu ando me calando em um dos poucos momentos em que deveria gritar. Logo eu, me omitindo! Me pergunto onde foram parar meus ideais, onde meu plano de vida se desvirtuou tanto para chegar nesse ponto mecânico. Acho que mal provei o paletó e já estava me enforcando com a gravata.
Mas a matemática é simples, troquei o pensar por fazer, e me troquei por aquelas teclas de convívio diário – e eu continuo batendo nas mesmas, se fechar os olhos escuto ate o tec tec – me saturei de coisas pra não ter tempo pra pensar, me usei a exaustão para justificar as noites mal dormidas, ocupava cada brecha de tempo para dar razão à insônia que insistia em me perseguir não importa o quanto eu fizesse para evita-la. No entanto, uma hora ou outra eu precisava deitar, e o cansaço nunca era tão grande ao ponto de me livrar do suplicio de colocar a cabeça no travesseiro e não conseguir fechar os olhos, me obrigando a lidar com tudo que eu guardei no fundo da gaveta do meu dia-a-dia justamente para não ter o trabalho de lembrar que existe.
Com o tempo fica mais fácil de disfarçar esses detalhes que eu mesma finjo não ver, de forma que me visto de super-mulher. Mal sabe o mundo que a capa que ele julga estar lá para protegê-lo não passa de um manto de proteção contra o monstro que ele mesmo criou. E vamos assim, continuamos assim, eu fico com as noites insones que me abrem todos os portais, e durmo horas de sono agitado suficientes para que possa vestir meu sorriso pela manhã sem cara de ressaca de pensamentos. Apesar de tudo, eu sei do que se trata. Não é ausência, não é inércia, é indiferença. Indiferença àquilo que eu me tornei.
Nisso, eu ignoro tempo espaço e me faço maquina, com calibragens periódicas para que nada dê errado, enquanto espero, de joelhos, para alguém que venha me livrar do mal, esperando eventualmente que alguém consiga me livrar de mim, amém.
É com esses fantasmas que eu dividirei meu cobertor agora.
Boa noite.

Com amor (ou não),

Rafa.

Dois mil e doce

24/09/2012

Nesse ano eu felicitei janeiro, aguardei fevereiro e me fiz indiferente à março. Lembrei de abril mais do que gostaria, odiei maio por não ter sido igual, e cheguei bem perto da insanidade antes de junho chegar ao seu fim. Em julho, pensei, em agosto, senti. E outubro? Por enquanto, eu só quero que outubro me surpreenda.

Um universo que sorri pra mim

18/09/2012

Eu terminei o café. Virei a xícara até o último gole e saí da mesa. Simples assim. Sem adeus mais longos, sem beijo na testa, sem “se cuida” que subentendiam-se “me cuida”. Saí e deixei alguém na mesa, alguém que poderia muito bem ser você. Mas no momento, eu não estava me preocupando muito em falar dos finais não-muito-felizes que deixei sentados, porque naquele instante eu percebi que a cada passo que eu dava, era uma chance de recomeço, um lugar inexplorado onde eu deixava a minha marca. A marca no chão ia ficar para trás, assim como aquele último gole de café que ficou marcado no fundo da xícara, mas a marca em mim seria para sempre, o meu caminhar, mesmo que sem rumo, já era andar pra algum lugar. Já era finalizar etapas para esperar o novo. Andar, explorar o desconhecido, respirar novos ares e me deixar invadir, tomar e preencher – transbordar até. E hoje eu transbordo. Transbordo não o que já foi, mas tudo que ainda pode ser, toda essa gama de cores que eu não me permitia enxergar, transbordo e contagio todos aqueles que me quiseram por perto com a alegria de simplesmente ser. E aí veio a segunda feira. Ah, aquela segunda feira que eu rejeitava desde o acordar do domingo. E ela me surpreende com um banho de sol, e com sinais que fecham no momento exato em que você vai atravessar a rua. Me surpreende até com aquela música que eu nem lembrava do quanto me animava e que toca no aleatório só para colaborar com o dia, e aproveitei pra dar bom dia a todos os seres vivos que passassem por mim, até cair na gargalhada sem motivo algum. Acho que quem me via assim, rindo sozinha, deve ter achado que eu estava maluca. Malucos são eles. Todos eles. Eu sou é feliz. Se dentro de um tão largo leque de escolhas, algo te fez estar ali, pegando o sinal fechado, no momento certo de ser banhada pelo sol, foi porque o universo quis. E o universo, meu bem, não falha.

Caixa preta

14/09/2012

When you’re gonna realize it was just that the time was wrong, Juliet?

A minha vontade é escrever até que se esgotem as palavras do universo. Colocar pra fora todo acumulo de pensamentos sentidos e daquelas coisas que eu insisto em guardar no fundo da memória só porque eu sei o quanto me afeta quando eu as visito. É justamente nesses momentos que a partícula ‘e se’ ressurge e me faz pensar em toda e qualquer coisa errada que o tempo já tomou conta e que eu não posso mais concertar. Tempo, tempo, tempo, tempo, e os meus pedidos? Se você tratou de tomar conta, trate também de levar embora aquilo que você tomou. Se tomou conta de arrumar, trate de tomar conta de me fazer esquecer. Quero lembrar dos meus amores impossíveis, daqueles que estão por vir, quero nostalgia de quem não sabe nada de mim. Quero alguém em quem eu possa confiar desde os meus segredos mais escuros até o meu (péssimo) hábito de deixar o ultimo gole do café, o ultimo trago do cigarro, só porque não sei lidar com finais amargos. Quero poder confiar também meu hábito de começar o livro pelo último capítulo, por não saber aproveitar o enredo sem saber o que acontece no final. Não aprendi a lidar com coisas inesperadas, qualquer coisa que foge desse tal de racional-emotivo me assusta. Me assusta e me trava, e com medo eu não me sinto eu. Quero menos metáforas e mais exemplos, mais palavras sem pensar e menos pensar demais nas palavras – por favor. Quero ver o sangue circular mais rápido nas minhas veias enquanto eu encosto a minha cabeça confusa, errada e cansada, no peito de alguém pra poder descansar. Quero mais falta de ar e menos suspiros. Quero ter tanta coisa que não caiba em mim, porque eu quero, e eu quero tanto que por vezes não cabe. Eu quero, mas não consigo, eu quero, mas não posso, eu quero, mas não sei lidar, eu quero, mas tenho péssimos hábitos, eu quero, mas tenho medo, e com medo, eu não sou eu.

Minutos roubados

04/09/2012

Para ler ouvindo: Ponto final – Tópaz.

Atenção: esse é um daqueles textos feito sob a luz da lua solitária, daquelas luas que arrancam sentimentos até de quem ignora a existência deles. Mas as vezes é necessário fechar os olhos e organizar a bagunça. A bagunça de dentro. Mesmo que nos últimos tempo eu tenha me deixado bagunçar.

Numa dessas atitudes humanas ao extremo de tentar evitar tudo aquilo que traga incômodo, eu me sinto extremamente incomodada em estar desejando ser qualquer pessoa que não seja eu, só pra colocar um ponto final nessa historia com tantos pontos finais que já virou até reticências. E vocês sabem, reticência tem jeito de suspiro, suspiro daquilo que poderia ter sido. Ainda mais, do pior deles: o poderia ter sido feliz.

Acho que o motivo deve estar perdido em algum lugar entre o abraço que afaga, o perfume que sufoca e essa sua cara de sacana que tanto reflete a minha cara de sacana, sendo sempre esse espelho torto que me mostra todos os meus defeitos, marcas, cicatrizes e qualidades em um corpo que não é o meu.
É esse fascínio pelo desconhecido que me é ao mesmo tempo tão comum que me confunde, me explode e me tumultua, me bombardeia. É ter toda a vontade e todos os motivos para te forçar a ir pra longe mas ainda assim querer você pra me cuidar. Eu não posso te obrigar a ficar, mas odiaria que você fosse.

É preciso de muito para entender o nó que é essa caixa preta perdida que eu chamo de mente, e ainda mais para tomá-la, de forma que me vejo espantada, senão encantada, com a facilidade em que você a distorce, a resolve e a arremata. E me faz desistir, e me puxa quando eu atinjo o limite, só pra me colocar nessa dança de cadeiras onde eu adoro estar. Desde que você esteja.

Mas é quando o frio chega que eu penso, e repenso e tripenso em maneiras de não me deixar pensar, de não me deixar levar. Mas eu penso, e eu penso em você. De um jeito tão alheio à minha personalidade que até a lua me pisca em consentimento, me liberando por alguns instantes dessa solidão voluntária que tanto nos é comum. Tudo isso para que eu ceda, mas eu não cedo. Nem pela lua. Nem pelo céu. Nem pelo meu eterno amor às causas perdidas.

Ainda assim, com todas essas variáveis que fazem desse eu-e-você inexplicável e inexistente uma incógnita, um ponto final é necessário. Ponto e parágrafo. Com direito a uma página em branco entre o findado capitulo e o que está por vir. Porque eu prefiro deixar assim: como capitulo, antes que eu perca meu tão estimado controle e faça do eu-e-você um livro do que nunca foi.

Protegido: Dia dos pais

14/08/2012

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Ensaio sobre dois

14/08/2012

Dois mais zero pra mim é igual a vinte. E foram doces, esses dois, doces vinte e quatro, e dois que quase que formavam um. Foi doce com gosto de saudade, gosto de ausência que era presença constante, e quanto não era presença, ainda assim era lembrança, as mais lindas que alguém pode imaginar.

Hoje eu olho pra trás e me dá um alivio de ver que você não está lá, que de uma forma torta e diferente (como a gente) você deu um jeito de se instalar na minha vida feito tatuagem, que não vai embora sem deixar marcas. Esse foi o nosso jeito de descobrir o pra sempre prometido, que a gente inventou sem precisar de muita coisa. A gente fez. E a gente fez porque a gente é.

Do fundo do meu coração que eu te dei de presente, espero que todas as pessoas no mundo possam ter alguém que se assemelhe a você pra mim, que todos achem a sua metade perdida e cortem as arestas pontiagudas para se encaixar, para que as curvas se encaixem ao ponto de não querer mais sair.

E é bom que você não saia, porque não sei mais confiar assim em alguém. É bom que você não mude, porque quando meus textos de transformam em notas, é fruto de um carinho grande demais pra expressar. Dessa forma, palavras não são suficientes para agradecer, para explicar ou para tentar definir o indecifrável que é nós dois. Portanto continue sendo esse ser sem-nome que me faz lembrar o quão bom é saber que, mesmo fora do normal, é possível se inventar um pra sempre. E não se esqueça nunca que meu amor por você pode mudar, mas jamais vai embora, e enquanto houver estrela no céu e enquanto meses tiverem um vigésimo dia, isso permanecerá.

We’ll always have Paris

22/07/2012

“- A franc for your thoughts
– In América they’d bring only a penny. I guess that’s all they’re worth
– I’m willing to be overcharged. Tell me.
– Well, I was wondering…why I’m so lucky. Why I should find you waiting for me to come along”

At the bottom where I fall

30/06/2012

Nó na garganta. Relaxa. Engole o choro. Respira. um sorriso a mais não há de fazer mal. Lembra, você esta sentindo. Angustia, desespero, tristeza. Tristeza? Falta. O vazio do papel reflete o vazio da cabeça , cheia demais para agüentar o coração. Coração? Falta. Falta coração e sobra cérebro, e o cérebro repõe o coração. Me lembra de sentir. Sentir falta, angustia, desespero, tristeza e nó na garganta. Engole o choro. Respira. Tão confuso quanto eu.

I’ll pretend to see what you see

09/06/2012

(pra T, com todo o carinho, daquela que por um dia se colocou no seu lugar)

Vou te contar a verdade, talvez eu seja meio control freak mesmo. Talvez me assuste ter que ceder parte de mim pra alguém, talvez eu não esteja acostumada a toda essa história de deixar rolar, não sei me entregar sem pensar exatamente nas consequências. Não lembro mais como é ser de alguém que não seja eu. E meu deus, como eu evito isso de pronome possessivo. Posse me assusta, eu gosto é de ser livre, ser dona de mim! Pode chamar de medo, mas é medo isso sim, medo do escuro, do incerto, medo da indecisão, medo da rejeição, medo de não ser o suficiente. Porque eu nunca sou, e todos aqueles que fizeram por onde foram embora, e eu não quero que você vá, mas é inevitável: você vai. E quando você for, vai levar consigo a parte do meu controle que eu, de forma meio que involuntária, te dei. Sabe quantas partes de mim já foram levadas embora? Sabe quanto tempo demora pra eu me acostumar a ficar sem? Em quantos pedaços você espera que eu me divida e saia espalhando por aí até que eu me perca por completo? De que adianta baixar a guarda se com você tudo complica? E tudo complica, e descomplica só pra você complicar de novo, e não me deixar ganhar no jogo que eu mesma inventei. Lá vem você pra mudar as regras e me ensinar que não é bem assim, que eu não sou dona do mundo e muito menos o mundo é dono de mim, e que, de fragmentos distorcidos pode sair algo belo. Mas, e se?

Pra não entender

09/05/2012

Calma, hoje a coisa é diferente. Não tem impulso, desespero ou sentimento ruim que me façam vomitar palavras que saem rasgando. São 1:57 da manhã, a bateria do meu celular está num nível bom, e eu senti a necessidade de colocar as idéias em algum lugar que não a minha cabeça – que anda atormentada em demasia e pensando além de sua capacidade, por sinal.
Primeiro, eu andei pensando muito sobre esse blog, que eu fiz em 2009 num contexto completamente diferente do meu atual. Eu escrevia que nem uma louca sobre todas as cenas pudessem render um pouco de afeto em forma de palavras, e isso foi, de certa forma, meu escape para os sentimentos apaixonados que eu nutria por um certo alguém – ou por vários certos alguens. Nada demais, e ate normal, considerando que eu era uma criança, e era muito carente (não que eu não seja uma criança, e seja muito carente, mas aprendi a disfarçar bem melhor). Mas antes eu precisava daquilo, precisa expor tudo, precisava sofrer pra saber se era de verdade, eu não gostava só do sentimento, eu gostava do drama, gostava do jogo, gostava de saber que eu estava “””””fazendo valer a pena”””” e adora me vangloriar por sempre “””fazer a minha parte”””. Ponho um milhão de aspas mais do que necessárias nessas palavras porque hoje eu leio os textos de antes no tom mais ridículo do mundo, notando que o meu conceito de valer a pena e de fazer por onde nao passavam de uma dúzia de indiretas muito bem colocadas e outra dúzia de orações para que o tradutor não se perdesse nelas.
Como eu disse antes, muita coisa mudou, incluindo essa minha necessidade de estar sempre no meio da tormenta, ate porque uma hora você cansa de bater com a cabeça na parede e nota que aquilo não é legal e que você é meio doente. Enfim, foi passando essa vontade toda de sentir sentir sentir e de precisar que a vida estivesse ali pulsando o tempo todo, e eu fui passando a apreciar essa calmaria, de forma a confundí-la ate com inércia.

Não sei exatamente em que ponto esse tipo de pensamento entrou um hiatus em mim e eu passei a ter que lembrar de gostar das pessoas, era como se eu tivesse perdido a pratica. Com esse desligamento, as duvidas passaram a ser completamente diferentes (e a que mais me assola ultimamente é ‘por que eu não mando ele/a ir à merda mesmo?’), e eu tinha que me lembrar que, como o ser social que eu sou, ainda precisava de demonstrações de afeto, para que não me confundissem com um robô. Isso me fez pensar: e se essas atitudes que deveriam ser genuínas fossem mecânicas, isso não me caracterizaria robô da mesma forma? O caráter humano não estaria presente mas relações, uma vez que elas seriam propositais.

Mas cá estou eu devaneando quando o assunto é completamente diferente: o objetivo desse blog. Vocês que me desculpem, mas não tenho leitores fieis, na verdade não sei nem se tenho leitores, portanto passarei a honrar o nome do blog e desfazer os encantos das antigas historias de amor. A partir de agora, isso aqui será uma extensão do meu cérebro, e a aparente doçura da que voz escreve será posta, muitas vezes, em xeque, afinal a minha cabeça não é das mais normais.

Tá faltando graça e tá sobrando espaço.

19/04/2012

Adiós.

Deixa?

23/01/2012

Sei lá, o que eu vou pedir não é muito. Só me deixa cuidar de você, tá bem? Só te mimar um pouquinho, só pra te fazer carinho e te ver sorrir. Me deixa? Deixa eu pentear seu cabelo, deixa eu te fazer cócegas até você chorar de rir, deixa eu aprender novas formas de te tirar o fôlego. Não é pedir demais, não quero mudar sua rotina. Só quero colocar suas coisas no lugar. Seus móveis, seus livros, seus pensamentos, seu coação, e o lugar do seu coração é junto ao meu, e você sabe disso. Me deixa te lembrar das coisas que você tende a esquecer, lembrar de ir ao supermercado, de comer frutas e verduras, de olhar as horas iguais, e eventualmente, lembrar de mim. Não quero um espaço no armário, não quero todo o seu tempo, só quero um espaço embaixo do seu cobertor, só quero acordar mais cedo pra te ver dormir. Me deixa?

Mas quando preciso de paz…

29/05/2013

Acontece. Às vezes o mundo da 1095 voltas só pra, na ultima, por as coisas no lugar. Pra falar “vem cá, pequena, que eu te mostro que teu esconderijo só fica a uma distancia de 1119km”. Quando escuto o mundo suspirar na minha orelha, a minha vontade é pegar um telefone ou um avião, deixar de lado os compromissos marcados, perdoar o que puder ser perdoado e esquecer o que não tiver perdão só pra poder falar: I wish you were here.

Mas acontece. O duende do tempo nasceu para pregar peças e mostra que a exceção, my darling, é o que faltava para encaixar perfeitamente o espaço entre seus dedos, mesmo que seja mais do que obvio que uma hora ou outra as mãos vão se separar numa infinita highway.

Aconteceu. Os planos e pensamos e noites sem dormir, e boas noites até a noite virar dia deixaram de ser fato para entrarem na história. E o que aconteceu vai ser sempre meu e altar sempre que eu precisar me desconectar. Porque no final, todos os caminhos vão sempre me levar ao mesmo lugar, onde existe somente um príncipe encantado. Porque eu tenho medo do escuro, já tive medo de cobra, tenho medo de te perder. E quando eu preciso de paz, eu só tenho você.

Afinal, você se apaixonou pelos meus erros e eu perdi as chaves, com a minha cabeça distraída. Agora vai ter que ser para toda a vida.

Protegido: Snow patrol

23/04/2013

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Protegido: Apatia 1 (ou Talvez)

24/03/2013

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